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sábado, 21 de novembro de 2009

Um segundo lar

Trabalhar em uma instituição para idosos pode ser algo muito gratificante. Pelo menos, para Cristina Fernandes Pinto, secretária da Casa Geriátrica São Mateus, tem sido assim.


Há 16 anos atuando na instituição, ela é responsável pela internação de novos idosos e pela administração da casa. “Sinto-me feliz por fazer um trabalho útil para a sociedade. – É gostoso trabalhar aqui. É muito bom saber que meu trabalho faz com que outras pessoas se sintam melhor”, afirma.


Cristina: "Aqui eles encontram um segundo lar"


Mas nem sempre foi assim. Hoje, aos 47 anos, Cristina ainda lembra como foi a primeira internação que realizou, de uma senhora chamada Elza Cristina. “Ela foi internada pelo filho único. Ela chorava muito, pois não queria ficar.” Tal imagem ficou gravada na memória de Cristina. “Eu pensava: Como pode um filho fazer isso com a própria mãe?”, diz.


O tempo passou e fez com que Cristina percebesse que não são todos os idosos que reagem mal à internação. “Muitos idosos não possuem família e aqui eles encontram um segundo lar”, conta a secretária.


E não são apenas os idosos que encontram um segundo lar na Casa. Cristina também encontra, na tranquilidade da Casa, motivos para sorrir. “Eu adoro os idosos, são uma distração para mim. Ás vezes, tenho problemas em casa e chego aqui e me divirto, bem mais com eles do que quando estou de folga”, finaliza.


Orgulho de viver na Casa São Mateus

Residente na Casa Geriátrica São Mateus há 11 anos, Olívio Marques, 70 anos, é a prova viva de que é possível ser feliz vivendo em uma instituição para idosos. Ele faz questão de ajudar na administração da casa, exercendo a função de porteiro por vontade própria. "Quero me sentir útil. É muito chato passar o tempo todo sem fazer nada", diz com satisfação.

Seu Olívio: "Aqui eu tenho tudo o que preciso"

Os idosos não são proibidos de saírem da casa e muitos deles passeiam pelo bairro. “Eu costumo, pela manhã, fazer umas caminhadas aqui nas ruas próximas da casa. Não vou para muito longe senão eles (os responsáveis pela Casa) brigam com a gente, mas eu sei que eles se preocupam e estão certos”, afirma o idoso.

Além dos passeios pelas ruas de Guadalupe, Seu Olívio também gosta das festas que ocorrem na Casa São Mateus. “Nem sempre é possível nós termos festas aqui, porém, quando é comunicado que uma irá ocorrer, eu sempre tento ajudar na arrumação e, claro, também me divirto e brinco bastante”, conta.

Apesar de morar na Casa há tanto tempo, Seu Olívio tem um filho, que vai visitá-lo sempre que pode. Orgulhoso, ele mostra alguns dos presentes que já recebeu do filho, dentre os quais um relógio que ganhou no último natal. Mesmo longe da família, Seu Olívio afirma que prefere morar na Casa a morar em outro lugar: “Aqui eu tenho tudo do que preciso, pode acreditar, sou muito feliz”, conclui.